terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Obrigada pelas aventuras, agora parta para a próxima!

Hoje tirei o dia para descansar e acabei assistindo o filme "UP - Altas aventuras", uma animação da pixar. Já perto do final do filme, determinada cena me chamou atenção e me fez refletir algumas coisas que gostaria de partilhar. O enredo do filme é basicamente um idoso ranzinza (Carl) que ficou assim depois da morte da esposa e por causa de suas manias acaba agredindo uma pessoa, então ele é mandando pela justiça para um asilo, mas antes disso acontecer, ele foge com sua casa carregada de balões em busca de um sonho de infância: morar no Paraíso das cachoeiras. Acontece que junto com ele vai um menininho (Russel) que acaba transformando a vida daquele homem.

A cena que me chamou a atenção é que depois de uma discussão com Russel, Carl entra em sua casa e começa a folhear o álbum que sua esposa tinha feito onde deveriam ter as aventuras dos dois. Todavia, Carl ficou tão obcecado naquele sonho infantil que não conseguiu realizar que não percebeu que pra sua esposa, tudo que eles tinham vivido já era uma grande aventura. Ele então decide ir atrás do amigo e ajudá-lo a salvar o bichinho dele, mas para poder fazer isso, Carl teve que jogar todas as coisas que estavam dentro da casa para que ela ficasse leve o suficiente para levantar voo. 

Foi então que eu imaginei que a vida é daquele mesmo jeito. Aquela casa era o coração daquele homem onde ele guardava as coisas mais preciosas: as fotos, as poltronas, os pertences de sua amada. Mas era tudo ilusão, visto que ele estava tão apegado àquelas coisas que sua casa (seu coração) não conseguia mais voar, ser livre.



Quantas vezes fazemos isso conosco? Vamos enchendo nosso corações de "tranqueiras" e ele vai ficando tão pesado que simplesmente não conseguimos ser livres. São tantos pesos desnecessários que esquecemos de fato o que vale a pena guardar; guardamos mágoas, tristezas, traumas e as vezes ficamos apegados às boas lembranças achando que por serem boas podemos ficar remoendo-as, mas na verdade são grandes empecilhos de vivermos novas experiências.

O novo pode nos assustar, mas é importante, diria mais, é extremamente necessário, que em nossos corações exista espaço para a novidade e não importa a idade, não importa o quão foi bom o passado; faz parte da dinâmica da vida abrir as janelas e deixar que novos ventos nos inspirem.

Não permita que seu coração seja uma casa cheia de pesos que te impedem de voar e buscar aquilo que Deus está sonhando para ti; não admita que o medo o paralise e seja o obstáculo que limita tua vida e não faz você enxergar a beleza que é ser surpreendido pelo Pai. Não deixe que a frustração de sonhos não realizados não o permita buscar outros; creia que em tudo está a providência de Deus e Ele sabe exatamente o melhor para tua vida. Mesmo aquilo que parece derrota, Deus olha e sabe o que fazer.

Hoje eu queria apenas descansar a mente, mas Deus nunca descansa e Ele quis me alertar a jogar fora aquilo que está me impedindo de voar. Ele também te faz esse convite, de ser totalmente livre e deixa-Lo escrever a história de tua vida, todos os dias, com o que você tem, mas com as maravilhas que ainda virão.

No final, Carl vê sua casa cair precipício abaixo, mas ele já estava curado e vai buscar uma nova casa, assim como a gente que precisa muitas vezes deixar o coração de pedra e ganhar um novo coração, de carne. 

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