quarta-feira, 23 de março de 2016

Tudo passa, tudo sempre passará.

A saudade é próprio de quem ama. Não tem jeito, se uma pessoa, um momento, foi especial, naturalmente você irá sentir falta dele. O problema é como nos relacionamos com essa saudade. Também é muito comum ao homem se apegar ao que foi bom, seguro, prazeroso e nesse apego, acaba esquecendo de viver novas experiências e aí que mora o problema. 

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recurar um presente que nos machuca, 
é não ver o futuro que nos convida.
(Pablo Neruda) 

Tanto as boas como as más lembranças devem nos ajudar a viver melhor o presente e planejar o futuro, infelizmente algumas pessoas permanecem no passado e RECUSAM o dia de hoje e não ENXERGAM o futuro diante dos olhos. Diante das nossas saudades precisamos responder à duas perguntas: 1) eu estou/sou apegada ao passado? 2) como posso mudar isso? 

Somos apegados ao passado quando não queremos nos envolver com pessoas novas, quando não aceitamos determinadas situações, quando não conseguimos mudar certas situações por mais dolorosas que elas sejam. Por exemplo: quando fazemos parte de um grupo mas por causa da vida as pessoas começam a se encontrar menos e aí você não quer mais ter outros amigos porque aquele outro era melhor ou você sente que está traindo a amizade deles; ou você acaba um relacionamento, então não quer mais ter nada com ninguém porque ou não quer sofrer ou acha que nunca mais vai encontrar alguém tão bom; alguém muito especial morreu e você não consegue seguir a vida, se revolta, chora sempre que lembra. Essas são algumas situações, mas você pode usá-las para todas as suas lembranças. 




E como mudar isso? Primeiro é essencial que tenhamos em mente que nossa vida é um contínuo mudar. (Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará. - Lulu Santos). As pessoas mudam, as circunstâncias mudam, as estações mudam e precisamos encarar as mudanças como oportunidades de aprender, de amadurecer. As experiências passadas fazem de nós o que somos e é importante que sejam lembradas para que não caiamos em certos erros. (Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repetí-los - George Santayana) As lembranças também devem nos fortalecer nos momentos tristes. João Paulo II nos diz, na Exortação Apostólica "Vita Consecrata" que: "O episódio da Transfiguração assinala um momento decisivo no ministério de Jesus. É um evento de revelação que consolida a fé no coração dos discípulos, prepara-os para o drama da Cruz, e antecipa a glória da ressurreição. (...) Como os três apóstolos escolhidos, a Igreja contempla o rosto transfigurado de Cristo, para se confirmar na fé e não correr o risco de soçobrar ao ver o seu rosto desfigurado na Cruz." 

Precisamos viver intensamente cada momento que nos é proporcionado, de corpo e alma, para que não nos arrependamos depois. E isso não significa não ter responsabilidades, pois mesmo vivendo intensamente o presente, precisamos saber que nosso futuro depende de nossas escolhas de hoje. Absorver cada ensinamento proporcionado, amar as pessoas e se deixar amar, sorrir, chorar. 

“Examine cada um os seus pensamentos, e há-de encontrá-los todos ocupados no passado ou no futuro. Quase não pensamos no presente; e, se pensamos, é apenas para à luz dele dispormos o futuro. Nunca o presente é o nosso fim: o passado e o presente são meios, o fim é o futuro. Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver; e, preparando-nos sempre para ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.” (Blaise Pascal) 

Que Deus nos ajude a reconhecer em cada momento Sua mão e que nosso coração esteja pronto a acolher Seus planos. Que as tristezas e alegrias sejam fonte de amadurecimento e paz aos nossos corações, para que chegada a noite de nossa vida e finalmente nos encontrarmos com o Senhor, possamos dizer que vivemos, da fato, todos os dias que recebemos d'Ele. 


Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós.
São José, rogai por nós.

terça-feira, 22 de março de 2016

Ser o melhor que Deus sonhou!

Eu admiro muitas pessoas. Sejam famosos ou anônimos, existe um rol de pessoas que me inspiram e ajudam a enxergar o mundo com outros olhos. Minha mãe, meu pai, João Paulo II, Frida Khalo, Martin Luther King, Bento XVI, Santa Teresinha do Menino Jesus, Padre Léo, amigos como Bruno Maia, Hugo Menezes, Diácono Eduardo e sua esposa Daniela e assim por diante, poderia citar várias. Pessoas de todos os tipos me ajudam a crescer na fé, na minha humanidade, enfim. Mas eu não desejo ser nenhuma delas.

Por um tempo eu quis, é verdade. Eu queria falar como fulano de tal, ser inteligente como sicrano, bonita como beltrano e isso era muito frustrante, porque eu JAMAIS conseguirei ser como outra pessoa é. Somos seres ÚNICOS e a forma que Deus usou para nos moldar é exclusiva.


Não quer dizer que não podemos nos inspirar ou reconhecer as qualidades de outras pessoas e desejá-las, inclusive, o testemunho dos santos da Igreja estão ai justamente para nos ajudar a alcançar a santidade, mas desejar ter certas qualidades não quer dizer que eu vá agir como determinada pessoa. Eu posso, por exemplo, admirar a forma como Padre Léo pregava e desejar pregar bem como ele, mas não preciso ser igual, aliás, se eu quiser ser igual a ele, vai ser meio que ridículo, porque viraria nada mais que uma caricatura.

Deus tem sonhos para mim e ele me deu todas as ferramentas para que eu possa alcançar esses sonhos. Dentro de mim existe toda a potência para eu atingir todos meus objetivos, basta que eu as explore e principalmente, acredite em mim. Obviamente não é fácil fugir de todo o bombardeio de informações, publicidade, padrões que nos são apresentados todos os dias, mas é preciso lutar contra a maré e buscar não ser o que os outros querem de nós, mas ser o melhor que Deus sonhou. 

"Sou o que Deus pensa de mim" 
(Sta Teresinha do Menino Jesus)

Olhar para dentro de si, buscar no seu coração a voz de Deus que te mostra quem você é. Por mais dolorido que seja encarar nossa fraqueza, nossas limitações, nossos medos e fantasmas interiores, essa busca por si mesmo também pode ser muito prazerosa, pois o que descobrimos de fato é que somos "APESAR de". São Pedro era apenas um pescador, inconstante e muitas vezes medroso, mas quando Jesus o escolheu como pedra da Igreja, ele olhava não quem ele era ali, mas quem poderia ser. São Paulo era um perseguidor, mas Deus não olhava suas atitudes naquele momento, mas ele enxergava nele o homem que levaria o Evangelho aos pagãos. São Francisco era um "playboy" de sua época, mas Cristo viu nele aquele que reconstruiria sua Igreja. E tantos exemplos que poderíamos citar de como Deus nos chama, apesar daquilo que nos deixamos ser transformados, porque Ele sabe exatamente como nos criou e por isso pode pedir o que quiser de nós.

Que deixemos o Espírito Santo nos mostrar quem somos de verdade, para que possamos alcançar o sonho de Deus e assim atingir a santidade que deve ser nossa grande meta de vida.

Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós.
São José, rogai por nós.

segunda-feira, 21 de março de 2016

É de dentro pra fora!

Durante toda a quaresma e de forma mais intensa agora na semana santa, muito falamos de conversão. Para nós cristãos, e católicos de forma mais específica, se converter é muito mais que mudar de religião ou de atitude, a verdadeira conversão vem de dentro pra fora.

A "metanoia", que usamos pra explicar o que seria conversão, seria uma mudança de mentalidade, de pensamento, de ideia. Ou seja, pra eu ter me convertido é necessário que tenha acontecido uma mudança de direção do caminho que eu caminhava anteriormente, deixa de acreditar em algo e começar a acreditar em outra coisa.



Mas como isso acontece na prática? Bem, não é algo que ocorre de uma hora pra outra, até porque da mesma forma que não estruturamos todos os conceitos, ideias e certezas que temos na vida de um só vez, também não podemos modificá-los todos de uma vez. Antes de tudo faz-se necessário que aconteça um encontro com uma verdade e no nosso caso, A VERDADE, e diante dela perceber que algo começa a incomodar dentro de nós.

"No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo." (Bento XVI - Deus Caristas Est)

Vemos frequentemente alguns neo-convertidos que pela emoção, euforia de um encontro avassalador, começam a mudar de atitudes, começam a se ater em conceitos morais. Não que estes não sejam bons ou importantes de serem seguidos, mas quem limita a religião, o crer, em apenas atitudes externas pode cair facilmente em dois extremos: ou perde a fé em momentos de tribulação ou vira um extremista que começa a julgar todos a sua volta. 

Perde a fé porque na verdade nunca a teve de fato, pois a fé é provada no dia a dia, no conhecimento, no aprofundar, como diz São Pedro, é necessário estar sempre pronto a responder a todo aquele que nos pede a razão de nossa esperança (Cf I Pd 3, 15). É de suma importância raciocinar, e isso não quer dizer racionalizar, mas entender o que cremos e porque cremos, sem fantasias, sem utopias, sem relativismos. 

"Eu creio para compreender e compreendo para crer melhor." (Sto Agostinho)

Ou Vira um extremista porque a pessoa acredita que só as atitudes correspondem a uma conversão e começa a se envaidecer, achando que deixar de cometer certos pecados já é uma grande evolução. E fica julgando aquelas pessoas que mesmo dentro da Igreja não conseguem mudar de vida.

Acontece que a mudança é de dentro pra fora, eu preciso internalizar aquilo que escuto, preciso plantar como uma semente para que ela germine gradativamente e seja forte dentro de mim. Eu preciso criar intimidade com o Senhor para poder compreender Sua Palavra, seus ensinamentos. A mudança de atitude é consequência, naturalmente eu não quero agir como antes pois isso não condiz mais com o que acredito, de tal forma que a nossa vida seja uma oferta agradável ao Senhor.

"Amar a Deus de todo o coração e de todo entendimento, e com todas as forças, bem como amar ao próximo como a si mesmo é muito mais importante que todos os sacrifícios e ofertas juntos." 
(Mc 12, 33)

Que o Espírito Santo inflame nosso coração para que possamos nos entregar a vontade de Deus em nossas vidas, que possamos colocar todo nosso ser, mente, corpo, alma, coração, nas mãos de Deus para que Ele escreva nossa história de acordo com o Seu querer,

Santa Maria Mãe de Deus, Rogai por nós.
São José, Rogai por nós.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

É impossível ser feliz sozinho...

Eis uma grande mentira que nos contam e que causa sérios problemas de auto-estima, eu mesma fui "vítima" dessa mentira, mas consegui superá-la e até sobrevivi para contar a história.

Uma grande amiga minha me dizia há alguns anos, que ela era feliz consigo e não precisava de outra pessoa. Eu achava aquilo um absurdo e até chamava ela de medrosa, porque para mim, esse tipo de pensamento, na verdade estava mascarando o medo dela de ter relacionamentos. Foram necessárias algumas quebradas de cara, algumas noites mal dormidas, algumas decepções para perceber que tinha algo errado comigo.

Culpei muitas pessoas e situações, mas então, parei de procurar fora e olhei para dentro de mim. Assim como Agostinho encontrou Deus dentro dele, também encontrei a verdade mais preciosa que um filho de Deus pode ter: Deus me ama. E isso basta. Mas o processo ainda estava (e está) somente no início. Sentir-se amado por Deus é uma sensação maravilhosa, todavia, amor não é sensação, não é prazer, euforia, amor é decisão, é ação, é suor e sangue, literalmente. E nesse caminhar, percebi que essa decisão não é somente de quem ama, o outro lado também precisa se esforçar, lutar, suar...ser amado não é fácil.

Da mesma forma que existia essa verdade gritando dentro de mim, que Deus me amava, também existia uma voz antagônica, que era minha, dizendo que eu não merecia ser amada. E então, eu tinha o principal problema a resolver: curar meu amor próprio. Esse processo de cura é dolorido, porque vamos mergulhar nas raízes mais profundas, vamos na feridas mais duras, vamos ao centro de nós mesmos, onde existe treva, medo, angústia; por isso precisamos levar a Cristo que é a ÚNICA luz capaz de iluminar nossas escuridões. 

Não se trata de uma auto-imagem além da realidade, mas uma visão realista de si mesmo: entender que somos dotados de qualidades, mas também de limites, somos frutos de uma série de circunstâncias, de escolhas nossas e de outras pessoas. Enfim, é necessário saber quem você é, porque somente assim, você saberá o que pode oferecer ao outro e principalmente, você saberá o que quer para você.

Foi então que me deparei com essa música que conheço desde criança e sempre achei linda. Ela não passava de uma grande mentira que me iludiu e me fez acreditar que eu precisava ter alguém para ser feliz. Como se eu fosse uma laranja partida ao meio e minha vida só fizesse sentido com a outra metade. Isso não faz o menor sentido. Somos seres INTEIROS, Deus nos fez COMPLETOS. Nada que eu preciso para me sentir realizado, feliz, está fora de mim, nem mesmo Deus. Ouso até dizer que na verdade, só poderemos ser felizes com alguém, se antes, formos felizes sozinhos. E ser feliz sozinho é ser livre, sem ter, tão pouco, colocar pesos aos outros. Isso quer dizer então que vou morar numa ilha e me isolar do mundo para encontrar a felicidade? Certamente que não. Somos seres sociais e necessitamos da interação para desenvolvermos nossas capacidades, mas o que é preciso deixar claro no nosso coração é que o outro não pode carregar a responsabilidade de nossa "felicidade", porque isso não é felicidade. O outro faz parte de nossa vida, mas não é nossa vida. 



Eu acredito no amor e tenho certeza que Deus une homens e mulheres para continuarem Seu projeto. A família é o grande sinal de que Deus ainda acredita em nós, apesar de nossas ingratidões. Mas não podemos iniciar uma relação, uma família, esperando que aquilo nos traga a felicidade por si só, essa felicidade é encontrada no dia a dia, nas lutas, nas diferenças, nas afinidades, e mais que tudo isso, a felicidade só é encontrada quando ouvimos a voz de Deus e a colocamos em prática. 

Meu irmão, minha irmã, busquemos curar nossas corações dessa carência que insiste em nos derrubar e nos afirmar que não somos capazes de sermos felizes sozinhos. A grande verdade é que não podemos ser felizes sem Deus e quando Ele nos basta, todas as outras coisas adquirem outro valor, porque elas fazem parte de um plano de Deus para nossa salvação e sendo assim, Ele nunca vai nos oferecer aquilo que desde o princípio já não soubesse que seria bom. Precisamos, "apenas" estarmos atentos aos sinais e fazer a vontade de Deus. 

Que Nossa Senhora, aquela que soube mais do que ninguém ouvir a vontade de Deus, nos ensine a encontrarmos Deus dentro de nós, como ela que carregou o Menino-Deus dentro dela, mas desde sempre e para sempre, carregou muito mais em seu coração escravo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Obrigada pelas aventuras, agora parta para a próxima!

Hoje tirei o dia para descansar e acabei assistindo o filme "UP - Altas aventuras", uma animação da pixar. Já perto do final do filme, determinada cena me chamou atenção e me fez refletir algumas coisas que gostaria de partilhar. O enredo do filme é basicamente um idoso ranzinza (Carl) que ficou assim depois da morte da esposa e por causa de suas manias acaba agredindo uma pessoa, então ele é mandando pela justiça para um asilo, mas antes disso acontecer, ele foge com sua casa carregada de balões em busca de um sonho de infância: morar no Paraíso das cachoeiras. Acontece que junto com ele vai um menininho (Russel) que acaba transformando a vida daquele homem.

A cena que me chamou a atenção é que depois de uma discussão com Russel, Carl entra em sua casa e começa a folhear o álbum que sua esposa tinha feito onde deveriam ter as aventuras dos dois. Todavia, Carl ficou tão obcecado naquele sonho infantil que não conseguiu realizar que não percebeu que pra sua esposa, tudo que eles tinham vivido já era uma grande aventura. Ele então decide ir atrás do amigo e ajudá-lo a salvar o bichinho dele, mas para poder fazer isso, Carl teve que jogar todas as coisas que estavam dentro da casa para que ela ficasse leve o suficiente para levantar voo. 

Foi então que eu imaginei que a vida é daquele mesmo jeito. Aquela casa era o coração daquele homem onde ele guardava as coisas mais preciosas: as fotos, as poltronas, os pertences de sua amada. Mas era tudo ilusão, visto que ele estava tão apegado àquelas coisas que sua casa (seu coração) não conseguia mais voar, ser livre.



Quantas vezes fazemos isso conosco? Vamos enchendo nosso corações de "tranqueiras" e ele vai ficando tão pesado que simplesmente não conseguimos ser livres. São tantos pesos desnecessários que esquecemos de fato o que vale a pena guardar; guardamos mágoas, tristezas, traumas e as vezes ficamos apegados às boas lembranças achando que por serem boas podemos ficar remoendo-as, mas na verdade são grandes empecilhos de vivermos novas experiências.

O novo pode nos assustar, mas é importante, diria mais, é extremamente necessário, que em nossos corações exista espaço para a novidade e não importa a idade, não importa o quão foi bom o passado; faz parte da dinâmica da vida abrir as janelas e deixar que novos ventos nos inspirem.

Não permita que seu coração seja uma casa cheia de pesos que te impedem de voar e buscar aquilo que Deus está sonhando para ti; não admita que o medo o paralise e seja o obstáculo que limita tua vida e não faz você enxergar a beleza que é ser surpreendido pelo Pai. Não deixe que a frustração de sonhos não realizados não o permita buscar outros; creia que em tudo está a providência de Deus e Ele sabe exatamente o melhor para tua vida. Mesmo aquilo que parece derrota, Deus olha e sabe o que fazer.

Hoje eu queria apenas descansar a mente, mas Deus nunca descansa e Ele quis me alertar a jogar fora aquilo que está me impedindo de voar. Ele também te faz esse convite, de ser totalmente livre e deixa-Lo escrever a história de tua vida, todos os dias, com o que você tem, mas com as maravilhas que ainda virão.

No final, Carl vê sua casa cair precipício abaixo, mas ele já estava curado e vai buscar uma nova casa, assim como a gente que precisa muitas vezes deixar o coração de pedra e ganhar um novo coração, de carne. 

sábado, 24 de outubro de 2015

Deixa Deus entrar nos porões de teu coração

Sabe quando alguém vai na sua casa e você fica fechando todas as portas dos quartos porque está tudo uma bagunça? Com algumas pessoas, entretanto, você não tem esse problema, pois a relação é íntima o suficiente para que você não precise ficar escondendo essas coisas. Em outros níveis, é capaz de você chamar alguém no seu quarto e não ter nem lugar pra ela sentar e mesmo assim você não sentir nem um pouco de constrangimento e até rirem da situação. 


Da mesma forma deve acontecer com Deus, todavia, a casa que falamos não é nossa residência, mas nosso coração. Precisamos abrir inteiramente nosso coração para que o Pai coloque ordem lá. Muitas vezes está tudo uma bagunça e você nem sabe por onde começar e caímos na tentação de achar que só podemos deixar Deus entrar quando tiver tudo arrumado, mas ordem é inversa, quando está tudo bagunçado deve ter a certeza que somente Ele é quem pode organizar tudo para que a vida flua.

Na sala, Deus precisa entrar para que as conversas sejam agradáveis, edificantes. No quarto, para que tenhamos um local seguro e limpo para descansar. Já a cozinha, deve estar bem cuidada para que as alegrias ali encontradas sejam frutos do Espírito Santo, no banheiro, lugar de solidão, de purificação, também seja um espaço de paz e tranquilidade. Cada lugar de nosso coração precisa estar em ordem.

Existe um local, contudo, que dificilmente permitimos as pessoas de entrarem. Até mesmo a gente é difícil de ir lá porque ele oferece muitas vezes uma sensação de sujeira, de incômodo, não é nem um pouco atraente. Esse lugar é o porão. No Brasil não temos muito essa realidade em nossas casas, mas imagine esse local como aquele "quartinho da bagunça".

Neste locais costumamos guardar o que não usamos muito. Resto de reformas, aquelas coisas que ficamos nos apegando pela possibilidade, mesmo que remota, de um dia usarmos, enfim, são as famosas "tranqueiras" que de tão feias e inconvenientes somos incapazes de colocar à vista de todos, então guardamos lá e de vez em quando fazemos uma visita, olhamos rapidamente, pegamos algo, devolvemos, mas logo em seguida já saímos correndo. Em nossos corações também existe um espaço assim, cheio de "tranqueiras".



Infelizmente, ao longo da vida, vamos acumulando certos pesos que se não são trabalhados da forma correta podem virar bombas prestes a estourar. Vamos reprimindo sentimentos, guardando emoções, engolindo palavras que vão se amontoando dentro da gente e não sabemos muitas vezes lidar com eles. Então acontece uma determinada situação que nossas reações vão buscar forças nessas realidades escondidas no nosso inconsciente. Não estou dizendo que todo tipo de sentimento, emoção, palavra deva ser explicitada, jogada na cara dos outros, mas todas elas, sem exceção, precisam ser trabalhadas e amadurecidas para que não nos peguem de surpresa e sejamos orientados por elas. Deus precisa ir nesse local e colocar uma luz ali. 

Nesses porões estão nossos piores instintos, traumas, pecados, medos, frustrações e realmente é muito mais fácil nem passar perto, mas não podemos ignorar essas realidade. Elas estão lá e precisamos saber lidar com tudo isso. E a melhor pessoa que pode nos acompanhar nesse lugar escuro é o próprio Deus que sabe tudo, cura tudo e nos ama com Amor infinito. Só Ele é capaz de iluminar nossas escuridões, só Ele pode entender plenamente cada "tranqueira" que guardamos e só Ele pode jogá-las fora e nos libertar desses apegos. 

Hoje, venho te convidar a abrir TODA a sua casa para Deus, para que Ele ponha tudo em ordem, mas não pode ser até a sala, Ele deve caminhar em todos os cômodos e principalmente, você precisa leva-Lo até o porão de seu coração e deixar que Ele trabalhe e você o ajude a fazer a limpeza necessária ali, para que você só guarde o que for bom, útil e edificante para sua vida e de todos ao seu redor. Não tenha medo de abrir-se e deixar que Deus penetre à sua intimidade, Ele não erra e é o ÚNICO que pode colocar em equilíbrio teu interior. E depois, seja ousado, o convide para morar nessa casa, entregue a propriedade a Ele e O deixe o seu coração ser o seu LAR. Eu garanto que você não irá se arrepender. Finalizo com as Palavras de Bento XVI na Homilia no início do seu pontificado:

"Quem faz entrar Cristo, nada perde, nada absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que liberta. Assim, eu gostaria com grande força e convicção, partindo da experiência de uma longa vida pessoal, de vos dizer hoje, queridos jovens: não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, ele dá tudo. 
Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira. 
Amém."


terça-feira, 1 de setembro de 2015

O melhor está por vir...

"Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, 
em quem não há mudança nem sobra de variação." 
(Tg 1, 17)

O que essa Palavra significava na prática, na minha vida e na maioria das pessoas que estão ao meu redor? Fiquei a refletir nessa questão. 

Somos inconstantes, qualquer coisa é capaz de tirar nossa paz numa fração de segundo, vamos variando de humor conforme os fatos e nem refletimos muito bem acerca deles, apenas seguimos os instintos. Temos grande dificuldade de enxergar além dos fatos, as coisas acontecem e imediatamente reagimos, sem refletir, sem analisar, e pior, sem rezar. Assim fica complicado de manter o equilíbrio, né? 

Por que Deus não tem sombra de variação? Porque Ele não precisa se preocupar com o futuro, Ele já viu tudo. Nós, todavia, não somos capazes de ver o futuro, então como manter-se tranquilo diante das adversidades? É "simples": confiar que Aquele que está no controle sabe o que faz.

TODA BOA DÁDIVA E TODO DOM PERFEITO VEM DO ALTO. 

Precisamos alimentar a certeza que nosso Pai das luzes nos ama com Amor perfeito, imutável, incomparável. Com a convicção desse amor, somos capazes de superar qualquer situação, não sem dor, muitas vezes com tristeza, mas com o sentimento de resignação e ESPERANÇA, que com Deus o melhor sempre está por vir. 

Não temos o controle do mundo em nossas mãos, algumas coisas simplesmente saem do plano inicial, mas podemos ter controle sobre nós mesmos, se não for assim, somos escravos dos fatos externos, os outros que determinam o que sinto, penso, reajo. Não precisamos  passar pela vida como robôs, que nada sentem e sorriem para qualquer tipo de situação, seja ela boa ou ruim, mas as situações não podem me tirar a paz.

Jesus era completamente equilibrado, não se alterava diante das adversidades que surgiam na sua missão: a lentidão de seus discípulos, a falta de fé do povo, a ânsia das pessoas em terem um tempo com ele, até mesmo quando pareceu que ele tinha perdido o controle, expulsando os vendedores do templo, sabemos que Ele tinha um objetivo, queria alertar-nos.



Com o pecado original, saímos do equilíbrio do Éden para o caos do mundo sem Deus. A desobediência e o orgulho de sermos como Deus faz com que variemos constantemente no nosso interior, porque é IMPOSSÍVEL para nós termos o controle de tudo, isso é atributo EXCLUSIVO de Deus que é onisciente, onipresente e onipotente. É justamente essa desordem que nos faz sermos extremos: euforia X depressão, bulimia X obesidade, ansiedade X apatia; e assim vamos perdendo a graça de viver um dia de cada vez, na esperança no Deus que é FIEL e cuida de cada um de nós.

Pedro era um homem inconstante, ele era capaz de num segundo se oferecer para seguir Jesus até a cruz e no outro instante negá-Lo, mas o Espírito Santo veio em socorro de suas fraquezas e o guiou na condução da Igreja. Jesus quando o escolheu sabia quem era Pedro, todos os seus desequilíbrios, mas, mais que isso, Jesus o conhecia em todas as suas potencialidades e tudo que ele podia ser, se permitisse ser usado. Pedro permitiu. Hoje, Jesus vem dizer que sabe de sua desarmonia interior, das coisas que te abalam e te tiram a paz, mas Ele também veio te dizer que Ele sabe como te criou e que dentro de você existe a paz necessária para superar qualquer situação, não a paz que o mundo dá, mas que Ele mesmo te oferece.

Buscar equilíbrio é essencial para uma vida mais madura e fortalecida em Deus, sem essa sabedoria para seguir a vida, somos como onda do mar, que é levado conforme os ventos (cf. Tg 1, 6ss). Que o mesmo Espírito que tornou Pedro capaz de controlar-se e se tornar aquilo que o Senhor queria dele, venha nos auxiliar para encontrarmos a paz interior e possamos alcançar os própositos de Deus na nossa vida!