segunda-feira, 8 de junho de 2015

Apenas vasos de barro.

Arrogância é um dos piores pecados que podemos cometer na nossa caminhada cristã, um dos piores porque ele impede de vermos quem somos de verdade. No processo de amadurecimento é necessário uma visão realista de quem somos, de nossas capacidades, nossos limites, e isto não quer dizer que estamos nos diminuindo ou nos rebaixando, ao contrário, quando sabemos quem somos e o que temos para oferecer, podemos potencializar essas características, ao passo que quem presume ser quem ou o que é não é, perde muito tempo e energia naquilo que não vale a pena.

Quando enxergamos a nós mesmos, ficamos também mais tolerantes com os limites dos outros, já que podemos olhar o próximo como um igual a mim, como diz Padre Fábio, alguém com virtudes e limites. E existe muita beleza nisso tudo. 

Deus é dotado de toda plenitude, Ele é infinito absolutamente em TUDO, sendo assim, criou a cada ser humano com características próprias (beleza, qualidades, talentos). Ninguém é igual a ninguém, mesmo as pessoas com mais afinidades não podem dizer-se iguais e isto é bom (porque tudo que Deus faz é bom) pois garante que não sejamos auto-suficientes, faz com que precisemos uns dos outros para que tudo saia na mais perfeita ordem e assim possamos viver o amor. Acredito que só podemos viver o amor nas diferenças.

Ser arrogante significa que nos sentimos melhores que outras pessoas, não respeitamos o outro, achamos que estamos acima de qualquer erro ou defeito. Quando estamos na caminhada cristã acontece muito desse pecado entrar naquilo que consideramos santidade. Pensamos estar tão perfeitos que julgamos os outros menos santos que eu. E isso é extremamente perigoso, por dois motivos óbvios: não conseguimos mais crescer espiritualmente e paramos de olhar o outro com amor.

Se eu acho que sou perfeito, não preciso mais mudar nada, estou pronto. Tenho excelentes qualidades, vivo todos os mandamentos, minhas devoções garantem que sou dedicado e disciplinado, ou seja, cheguei ao nível mais alto que alguém pode chegar. Pra piorar, começo a olhar o outro sob minha perspectiva, sob minha imaculada conduta de vida: pecador, preguiçoso, rebelde, desobediente. Isso tudo porque acredito que viver no meu estilo de "santidade" é o único caminho para chegar-se a ela. 



Precisamos ter um olhar crítico para conosco. É claro que Deus nos chama conforme nosso estado de vida, de acordo com nossas qualidades, considerando os nossos defeitos, isso acontece com TODOS, portanto não posso olhar meu irmão me considerando melhor, porque ele certamente é melhor que eu em algo, como sou melhor que ele em outra coisa, e assim vamos unindo nossas diferenças e formando o povo de Deus, povo santo e pecador, que busca no final das contas o céu.

Carregamos o tesouro que somos em vasos de barro para que tenhamos a certeza que tudo que somos e temos de bom provém de Deus (cf. 2 Cor 4, 7); temos muitas coisas boas dentro de nós, mas precisamos usar tudo isso com a certeza que devemos colocar isso em serviço ao outro, que todos temos limitações, que é preciso valorizar o próximo porque o mundo já nos tira demais o nosso valor e como cristãos que somos precisamos espalhar por aí que Deus ama a todos nós como nós somos. E sendo Deus perfeito da forma que é, mesmo assim nos ama, porque eu, imperfeito como sou, não amo e respeito o outro do jeito que ele é? Não faz sentido, não é mesmo? 

Que possamos aprender a amar quem está ao nosso lado, que possamos olhar a cada um com olhos de acolhida e respeito, que possamos olhar para dentro de nós mesmos e enxergarmos a verdade de quem somos e do que não somos. Que caminhemos rumo à santidade, caindo, levantando, mas nunca desistindo e ajudando a todos ao nosso redor a se levantarem quando caírem para chegarmos juntos à Pátria Celeste. 

Pela intercessão de Nossa Senhora, que o Senhor Jesus nos conceda um coração manso e humilde, como o d'Ele.

domingo, 8 de março de 2015

Deus é teu Pai, não teu patrão.

Em meio a tantas afirmações que me marcaram neste final de semana, talvez esta tenha sido a que mais me tocou. Participei da escola de formação João Paulo II, promovida pela Arquidiocese da Paraíba, que teve como ministrante o Bispo Auxiliar de Campo Grande, Dom Eduardo Pinheiro, que é o presidente da Comissão Episcopal Pastoral da Juventude da CNBB. Além do peso de ter um curso ministrado pelo responsável pela juventude no Brasil, pudemos nos deleitar com a simplicidade de um homem de Deus, humilde, carismático, e principalmente, completamente realizado e feliz com sua vocação.

Há um tempo andava me sentindo angustiada, frustrada e cansada. Não entendia porque me sentia assim, não sabia porque estava fria, minha relação com Deus estava distante e cheia de obstáculos. E isso se refletia em muitas áreas de minha vida e eu simplesmente não entendia o porquê de me sentir tão pra baixo, se servir a Deus sempre foi o motivo de minha felicidade.

Até que chegou esse final de semana e nas palavras simples, claras e objetivas de Dom Eduardo eu pude perceber a raiz do problema: Deus não estava sendo um Pai para mim, mas um patrão. Eu havia criado uma relação dura e cheia de burocracias com Ele, não havia mais uma amizade, apenas cobranças (comigo mesmo), era como aquele filho pródigo que desejava apenas ser tratado como um dos empregados porque achava que não merecia ser chamado mais de filho; eu esqueci o olhar de Amor que Deus tem comigo.

As vezes, vamos nos enchendo de tantas coisas, atividades, cobranças, as vezes julgamos estar numa 'maturidade espiritual" que não necessita de nenhum consolo e arriscamos perder esse primeiro Amor, esse colo, esse carinho. Vamos endurecendo o coração. Eu lembro que há um tempo era tão leve ser de Deus, era como ter um amigo, com quem eu podia conversar, decidíamos juntos o que íamos fazer e tudo ia dando certo aos poucos. E onde tudo se perdeu? A vida vai ficando dura, mas não precisamos ficar duros como ela, nem tudo tá perdido.

A santidade, dizia Dom Eduardo, não precisa ser enxergado como uma meta em si, porque o caminhar em buscar dela já é vivê-la, na verdade, ser santo, é um jeito de caminhar. Vamos cair, nos frustrar, vamos pecar, mas isso não deve nunca nos paralisar, mas precisamos olhar para essas limitações, encara-las e supera-las, como maturidade, reto coração e entrega à vontade de Deus. Mas eu não estava vivendo dessa forma, na verdade tudo era um grande peso, uma lista de obrigações que ao final do dia eu ia lá verificar seu eu tinha cumprido todas elas.

Viver assim me fazia surda à voz de Deus, eu não O sentia mais em canto nenhum, em ninguém, e pior, já estava me acostumando com isso, porque achava que fazia parte do processo de maturidade, mas nesse final de semana percebi que na verdade não era isso, mas era um coração de pedra que estava batendo dentro de mim e por isso era tão difícil de me entregar, de ouvir, de fazer a vontade d'Ele. Deus quer nossa felicidade, Ele não brinca conosco, não deseja o nosso mal e se deixarmos nossa vontade nas Suas mãos, devemos confiar que vamos receber o melhor, porque um Pai só quer o melhor para seu filho, e é isso que somos, não somos empregados. 

O objetivo da Escola de Formação foi nos ajudar a organizar o Projeto Pessoal de Vida, baseado no livro "Vida: um Projeto em Construção", de Dom Eduardo, onde todas essas reflexões (e mais algumas outras) foram propostas, a fim de planejarmos nossas vidas à luz de Deus, caminhando com Ele e percebendo que quem mais deseja nossa felicidade é Deus e por isso precisamos ouvi-Lo. Foi um final de semana renovador na minha fé, no meu serviço e em todas as dimensões de minha vida. 

Saí de lá com a certeza que sou muito amada, fortalecida para servir onde quer que eu esteja, com a convicção que os sonhos mais lindos o Senhor tem para mim e eu desejo sonhar com Ele e principalmente, com o desejo de NUNCA MAIS ESQUECER de que tenho um Pai que olha, cuida, defende e renova minhas forças. Um Pai, um amigo, meu Mestre, meu TUDO! Você também tem um Pai, Deus não é seu Patrão!


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Onde está teu talento?

Todos nós recebemos talentos de Deus, por mais inútil que você possa se sentir ou até mesmo os outros possam lhe qualificar, no fundo você sabe que tem algo que faz bem. A princípio o importante é identificar aquilo que você sabe fazer e depois aprimorar. Pode parecer simples, mas para alguns esse processo é lento, difícil e doloroso.

Não posso dizer estatisticamente, porque nunca fiz uma pesquisa e desconheço alguma do gênero, mas acredito eu que pra maioria das pessoas, já na infância, as habilidades naturais delas vá se destacando de algum modo: cantar, desenhar, esportes, liderar e assim por diante. Em ambientes saudáveis e normais, essas inclinações vão tomando forma e as pessoas são conduzidas às realidades que condizem com tais vocações. Entretanto, nem todo ambiente é saudável e normal. 

Infelizmente alguns pais e educadores castram os sonhos das crianças e adolescentes que começam a se descobrir e descobrir o mundo. O preconceito, o status, o dinheiro, muitas vezes são cercas que impedem as pessoas de se descobrirem e perceberem quem são e o que elas têm dentro delas e por isso passam a vida inteira sem saber o que vieram fazer aqui nesse mundo. Não sabem pra onde vão, o que querem e se sentem perdidas, vazias, sem sentido na vida. Têm tudo, mas no fundo não têm nada, e pior, nem sabem muitas vezes o motivo desse vazio, porque simplesmente não conhecem a causa dessa angústia.

Eu tenho a oportunidade de conhecer muitas pessoas, sobretudo jovens, que passam pelas pastorais/grupos que participo e digo, sem medo de errar, que a grande maioria dessas pessoas não sabem ao certo quem são. São pessoas imaturas, indiferentes ao mundo ao redor, carentes e desequilibradas (eufóricas ou depressivas). E o que isso tem relação com os talentos que falei no início? Tudo! 

Quanto mais eu me conheço, quanto mais eu disponho de mim, diz Padre Fábio de Melo em seu livro "Quem me roubou de mim?", mais posso oferecer-me aos outros. A liberdade consiste nisso: dispor de si e doar-se ao outro. O primeiro passo, entretanto, deve ser sempre o autoconhecimento, saber os seus limites, saber quem você é e quem você não é, o que gosta e o que não gosta; isso tudo faz parte de um processo interior que vai fundo na alma, que prescruta o mais profundo de si, até mesmo nas mazelas onde existem feridas, lixos, escuridões que precisam ser curadas, jogados fora, iluminadas e desta forma, vamos encontrando quem somos e o que podemos oferecer ao outro, nossos talentos, aquilo que somos bons e nem mesmo sabíamos. 

Agora, livres de quaisquer peso, podemos usar nossa vocação sem orgulho ou vaidade, mas como uma oferta a Deus, como gratidão, como uma contribuição na construção do Reino de Deus, pra melhorar a vida de meus irmãos, da minha família. Eu posso usar aquilo que sei fazer, sem me achar melhor que ninguém, mas também sem me menosprezar e me diminuir com autodepreciação, porque Deus não nos olha assim, Ele sabe o valor que temos, então porque não nos olharmos assim também?



Meu irmão, minha irmã, se for preciso passar por todo processo doloroso de limpar a sua casa pra descobrir que talento é esse que está escondido na bagunça, que assim seja, mas não permita que a vida passe sem sentido porque um dia disseram como você tinha que ser ou o que você tinha que fazer. Olhe-se sinceramente, virtudes e limites, e permita Deus arrumar seu coração e mostrar o terreno fértil que Ele fez seu coração quando você nasceu. 

Que o Espírito Santo venha conduzir nossa vida, nos fazer mais maduros. Vem, Senhor, até o mais profundo de nosso coração e nos revela a Tua vontade; vem mostrar o que ainda está longe de Ti para que possamos nos libertar. Ajuda-nos a encontrar nossos talentos para te servir mais e melhor, Pai, pois queremos ser só teus, queremos caminhar na Tua vontade. Amém!

sábado, 11 de outubro de 2014

Saia de sua gaiola e vá viver!

Hoje eu escutei uma historia que me fez refletir acerca de algumas atitudes nossas, de algumas escolhas e das consequências delas. Uma amiga minha ganhou uma calopsita, essa ave ela tem uma característica interessante porque interage com humanos, conheço algumas pessoas que as tem e elas comprovam que é verdade, elas até brincam que a calopsita parece que quer ser gente. Pois bem, quando o bichinho chegou na casa desta minha amiga, havia acontecido que com o dono antigo ela tinha tido experiências ruins, ao ser colocada numa gaiola com outras da mesma espécie, a ave foi rejeitada e as outras batiam nela; quando aconteceu isso, o dono achou melhor dá pra outra pessoa cuidar. E apesar de todo amor que a nova família trata a calopsita, infelizmente, ela não consegue esquecer o que viveu e por isso é bem arisca e dentre outras características, prefere ficar na gaiola do que passeando livremente pela casa. E porque eu fiquei a refletir sobre nós, homens, em comparação com o bicho?

Certamente, apesar de ser um bicho mais inteligente que outros, a calopstia age por instinto; sua memória ficou programada a recusar todo tipo de aproximação, pois a violência sofrida gerou nela um medo de ser machucada novamente, mas repito, ela age por instinto. Até sua experiência atual superar a memória da antiga, ela vai continuar agindo da mesma forma. Alguma semelhança com algumas pessoas? Com certeza e não é mera coincidência.
Algumas pessoas (eu ou você, talvez) passam por experiências traumáticas, situações de violência (Física, psíquica, emocional) que geram nelas um medo de qualquer tipo de aproximação. Seu coração foi ferido de tal forma que sua memória cria um bloqueio, pois assim ela acredita que ficará protegida de ser machucada novamente. São situações diversas: traição, decepção, rejeição, todas elas machucam e qualquer um (em são consciência) não deseja passar novamente por elas.

Acontece que, diferente das calopsitas (ou de qualquer outro animal) não agimos por instinto. Somos seres pensantes, que são regados de emoções, temos uma alma e principalmente somos LIVRES. Não precisamos viver engaiolados com medo do que irá nos acontecer, mesmo que seja ruim, não precisamos ficar reféns de nossas frustrações, medos, de nossas tristezas, não precisamos porque Cristo nos restaurou a liberdade perdida por causa do pecado. É claro que vão existir momentos ruins em nossas vidas, isso é um fato, não se pode fugir dele, mas a vida é construída em cima deles também. É bobagem deixar de viver as maravilhas que Deus nos proporciona porque sofremos um dia, é o mesmo que não querer mais apreciar o céu, porque um dia ele ficou cinza, e todas as vezes que ele esteve azul, ou estrelado, ou com uma lua magnifica? Será que precisamos deixar de viver as coisas boas somente porque um dia tivemos coisas ruins? Isso não faz o menor sentido, não é mesmo?


A liberdade que Cristo nos oferece supera qualquer barreira que nos impede de sermos felizes. O pecado é a gaiola que nos impedem de voar alto, de viver plenamente nossas vocações, algumas delas nem parecem prisões, porque criamos uma ilusão de que ali estamos seguros, protegidos, mas não, na verdade estamos perdendo tempo, deixando de receber e dá amor. Quantas oportunidades perdidas de AMAR porque tivemos medo, barreiras, superproteção com nosso coração?


Meu irmão, minha irmã, não permita que isso aconteça com sua alma. Saia de sua gaiola e vá viver. Não vou dizer que nunca mais você vai sofrer ou viver decepções, frustrações, traições, mas e dai? Isso é viver também, faz parte, mas ao invés de se entregar, vamos chorar um ou dois dias e no outro já vamos levantar, sacudir a poeira e dá a volta por cima. Deus nos fez para sermos FELIZES, plenamente, e a verdadeira felicidade só é vivida na liberdade de filhos amados de d’Ele. Portanto, não seja essa calopsita, não queira viver numa gaiola, nem tenha medo de receber carinho, cuidado e atenção, não trate com aspereza as pessoas que se aproximam, sorria e você receberá de volta muitos sorrisos também.

Deus te abençoe!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Desapega, desapega...

Exercitar o desapego deve ser uma prática constante em nossas vidas, porque ser apegado é uma das piores coisas que você pode escolher para sua vida. São muitas as consequências de quem é preso à suas coisas ou a pessoas, memórias, a pior delas certamente é a falta de liberdade.

Existem alguns programas de tv que mostram os dramas de algumas pessoas que são as chamadas de "acumuladores". É triste. Elas acumulam objetos de forma doentia, na esperança de um dia usá-los, esses mesmos objetos vão tomando o lugar das coisas realmente importantes e daqui a pouco das pessoas, depois de um tempo o local em que elas vivem torna-se um "chiqueiro", cheio de doenças, inclusive. E o pior é que estes acumuladores realmente acreditam que ter tudo aquilo é essencial para sua vida, aquilo lhes dá segurança, elas se sentem protegidas e é um sofrimento se livrar daquelas coisas, é como se uma parte delas estivesse indo embora, porque afinal de contas elas levaram uma vida toda acumulando aqueles objetos.

Não muito diferentes dessas pessoas que sofrem dessa patologia, também temos pessoas ao nosso lado, ou nós mesmo, que também sofrem de algo semelhante, a diferença é que não são objetos acumulados, mas sentimentos ruins e o local, o coração. Assim como os acumuladores, aconteceu algum evento catalisador que desencadeou aquela postura, muitas vezes uma raiva, um trauma, uma traição, uma mentira, algo que gerou dentro do coração um sentimento negativo. Não sou psicologa e não posso falar com propriedade sobre o assunto, mas eu acredito que nenhum sentimento que seja gerado em nós possa ser controlado, principalmente diante de circunstâncias reais como essas que falei, portanto a reação que temos são legítimas, reais, factuais, objetivas. Por exemplo, não tem como você controlar a frustração, a tristeza e a decepção diante de uma traição, é um fato que realmente nos entristece e esse sentimentos são inevitáveis, e você sendo humano e tendo um coração, é bem normal que os sinta. 

Entretanto, o que faremos depois com esses sentimentos é uma escolha, isso sim podemos controlar. Vamos guardar dentro de nossos corações e acumular tantos outros sentimentos ruins? Nesse exemplo da traição mesmo, a decepção de termos sido traídos por alguém não pode gerar em nós a desconfiança por todas as pessoas do mundo, não pode tornar nosso coração duro a ponto de não confiarmos tão pouco não nos relacionarmos com mais ninguém, algumas pessoas até começam a agir do mesmo modo com outras, numa forma de justiça pelo mal que sofreu. 



Diante do mal que vivemos é necessário uma entrega sem medidas ao misericordioso coração de Jesus. Ele tudo sofreu na cruz por nossos pecados, todo tipo de dor, de agonia, de tortura, mas sua prece ao Pai foi que Ele os perdoassem pois não sabiam o que faziam; não é fácil superar o coração ferido, mas é necessário, eu diria mais, é INDISPENSÁVEL para que possamos seguir em frente, sem pesos, sem lixos em nossa casa, que é nosso coração. Para quê ficar acumulando tanta "tralha" enquanto podemos preencher nossa vida de sentimentos de amor, paz, alegria, sorrisos, por que escolher sentir ódio, rancor, mágoa, tristeza, se podemos escolher o AMOR? Sim, escolher, porque o amor é uma decisão, nem sempre fácil, é verdade, mas a melhor decisão que podemos tomar. 

Limpar o coração de vez em quando, fazer uma "faxina" dos sentimentos, é vital para nossa saúde mental, espiritual e física; retoma o equilíbrio muitas vezes perdido, uma vez que cultivar sentimentos negativos nos faz ver a vida com olhos negativos também e nos faz sempre enxergar tudo de forma pessimista e a vida vai ficando cinza, sem graça, triste. Não faça de seu coração um chiqueiro, não acumule sentimentos que só te derrubam, não tome esse veneno, porque você está matando a si mesmo e o outro muitas vezes nem sabe do seu sofrimento, já seguiu em frente e você está aí, parado no tempo, sem espaço para novas pessoas, novas oportunidades, novos sentimentos. Seja livre, desapega...


Deus abençoe!!!!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Um brevíssimo segundo...

Diante da morte nossas fragilidades ficam expostas, afinal é um mistério ao qual não pode ser revelado até nós mesmos passemos por ele e por isso mesmo é muito complicado falar dela, explicar, dizer o que se sente, porque nunca sabemos ao certo o que se passa interiormente. Por mais que sua religião (qualquer que se seja ela) lhe dê muitas explicações ou esperanças, não adianta, é um mistério e muitas vezes doloroso.

Hoje uma tragédia chocou o Brasil, o candidato a presidência do país, Eduardo Campos, sofreu um acidente de avião e faleceu, ele e mais 6 pessoas que estavam juntos com Eduardo. Esse fato simplesmente deixou a todos atônitos, nas redes sociais só se fala nisso, as pessoas estão pasmadas com essa morte prematura e trágica desse homem que tinha um sonho, um ideal, um projeto. 

E quem de nós pode ficar livre dessa realidade? Quem pode dizer com certeza que vai sair e voltar para casa tranquilamente, sem que nada lhe acontece, sem que a morte lhe surpreenda? Não sabemos o dia de amanhã, não sabemos nem o minuto seguinte de nossa vida, cada segundo que estamos vivendo é a única certeza que temos nas mãos, o próximo segundo já é incerto. É preciso viver o hoje, o agora, colocar nossas forças, nossa energia no que vale a pena hoje, o ontem já morreu, o amanhã não temos certeza...

"Minha vida é um brevíssimo segundo..." 
(Santa Teresinha do Menino Jesus)

Mas, o que vale mesmo a pena? No que estamos perdendo nosso tempo? Vejo tantos jovens gastando suas vidas por valores efêmeros, naquilo que não leva pro céu, dando valor a tantas pequenas coisas que passam e que muitas vezes levam até para o inferno. Quais são os valores pelos quais você está perdendo seu tempo? Certas coisas parecem muito boas de se viver, mas prestaremos contas delas no dia que o Senhor vier nos buscar e pra quem acha que tem tempo para no "futuro" pensar nas coisas mais sérias ou pensar em Deus ou se converter, fique ligado, não sabemos nem o dia, nem a hora que o Senhor virá. Ele virá como um ladrão (Cf 2 Pe 3, 10).


Portanto, irmãos e irmãs, não percamos tempo, ele é muito precioso para ser gasto de qualquer forma. Vivamos o hoje plenamente, buscando fazer a vontade de Deus, fazendo o bem a todos que nos rodeiam, aparando as arestas que o pecado deixa em nós, buscando de fato uma conversão profunda. Não percamos tempo com futilidades, com mesquinharias, com tristezas, com rebeldias, com falta de amor e perdão. Sejamos dóceis ao Amor que Deus tem por nós e busquemos ama-Lo de todo nosso coração, de toda nossa alma e com toda nossa inteligência.

Que o Senhor Deus tenha piedade e misericórdia dessas 7 pessoas e que os coloque num bom lugar; que nossa Maria Santíssima conforte a família deles, com sua poderosa intercessão. Amém. 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Ele é o Senhor!

Sabe aquelas palavras que você ouve quase que diariamente, mas um belo dia elas fazem um sentido diferente em sua vida? Pois bem, tive essa experiência esses dias. Estava eu, numa celebração da Palavra e o diácono quando ergueu Jesus no Santíssimo Sacramento do Altar, cantou uma canção:

Ele é o Senhor
Ele é o Senhor
Ressurreto, dentro os mortos
Ele é o Senhor

Todo joelho se dobrará,
Toda língua confessará
Que Jesus Cristo é o Senhor

Eu já escutei essa música umas "trocentas" vezes, eu tenho PLENA CONSCIÊNCIA que o centro de nossa fé está no mistério da encarnação e ressurreição de Cristo, afinal já dizia Paulo: Se Cristo não ressuscitou, é vã nossa pregação e nossa fé (cf. 1Cor, 14), mas nessa segunda-feira, foi diferente. Quando eu escutei, mais especificamente o verso, ressurreto dentre os mortos, eu me coloquei a pensar: quem é capaz disso? me diga qual deus foi e é capaz de ressuscitar dentre os mortos?


E aí, gerou em mim uma reflexão mais profunda ainda! Porque não é só voltar da morte, mas Jesus Cristo era Deus, 100% Deus, que se fez homem, 100% homem, menos no pecado, por mim. Qual deus é capaz disso? Quem pode dizer, além de nós, cristãos, que teve um deus que saiu de seu trono e se rebaixou ao pior nível do ser humano? Sim, pior nível, porque quando Ele morreu, morreu como se morriam os piores criminosos da época. Quem pode dizer: o meu deus sabe o que eu passo, porque ele passou também, e passou pior! Quem pode?

Não quero entrar no mérito teológico, porque não tenho cacife para isso, os maiores teólogos do mundo já o fizeram desde sempre e não sou eu, uma simples mortal, que vai inventar a roda agora, minha reflexão é puramente intuitiva. Eu só fiquei pensando: meu Deus, como tu és maravilhoso, por ter feito isso por mim, porque não precisava, mas mesmo assim, tu te igualastes à minha miséria, só por amor, para que eu pudesse ter forças para continuar, porque ao olhar para Tua cruz eu me recordo que tu não te apegastes à tua condição divina, mas fostes até o fim como homem e eu também posso ir (cf Fl 2). 



Como eu posso ser indiferente a este Deus que não teoriza o amor, mas foi o AMOR ENCARNADO, real, sem explicações mas com ações, me mostrando o caminho, não com um mapa, mas me dando a mão e indo comigo. Qual deus pode fazer isso por mim? Qual deus sofreu e morreu pelos meus pecados, mesmo sabendo que eu muitas vezes iria virar as costas para Ele, iria preferir o pecado, preferir a morte, preferir os homens?

Existem muitos deuses por aí, o homem já adorou (e adora) muitos: animais, eventos meteorológicos, plantas, dinheiro, até outros homens já viraram deuses na história da humanidade, mas no meu limitado conhecimento, não me recordo, de nenhum que tenha sido tão poderoso, tão forte, tão impetuoso, mas ao mesmo tempo tão misericordioso, tão humilde, tão pequeno capaz de torna-se PÃO para vir nos visitar diariamente, para se tornar um conosco, para estar em comunhão e resgatar o homem de sua própria miséria e pecado.

Senhor, eu não mereço tanto amor, mas eu agradeço e aceito. Me entrego, Pai, nos teus braços para que Tua força me domine, teu Amor me preencha, Tua misericórdia me alcance, tua Salvação me resgate. Amém.